O fotômetro de mão – e como usá-lo para melhorar suas fotos

Desde o início um dos desafios da fotografia é calcular a exposição correta, ou seja, por quanto tempo vamos expor à luz nosso material fotossensivel. Curto e simples, dispomos do controle de abertura da lente e do intervalo em que permitimos que a luz alcance nosso filme ou sensor.

Fotometros Gossen Stalite (digital) e Gossen Lunasix (analológico)Duas gerações de fotômetros da Gossen. Este Lunasix 3 é o que está comigo.


Claro, as nossas regulagens vão depender da intensidade da luz à nossa disposição, e esta intensidade varia muito ao longo do dia ou segundo o tipo de luz artificial que estivermos usando. Atualmente nossas câmeras fazem boa parte deste trabalho com seus fotômetros integrados, mas antigamente a vida era mais simples – usávamos regras para exposição ao sol, e tabelas ou tentativas e erros para luzes artificiais. Afinal, um bom fotógrafo deveria ter perfeito entendimento de iluminação…

Isso funcionou relativamente bem para filmes negativos, que tem mais capacidade para absorver erros de exposição, mas para os engenheiros era necessário medir a “mardita” luz – criaram equipamentos altamente complicados que mediam a intensidade luminosa do que queríamos fotografar. E começaram a complicar ainda mais estes equipamentos à medida em que precisavam melhorar a qualidade dos resultados.

Isso tudo, em um aparelho adicional – fotômetros externos – até que um engenheiro mais preguiçoso resolveu incorporar o tal à câmera… e hoje a grande maioria delas tem essa capacidade.

Mas existem muitas – câmeras mais simples, muito interessantes para pessoas criativas como nós – que deixam este assunto sob nossa responsabilidade… e vamos nós de fotômetro de mão como nossos pais. Mas isso até que nos dá algumas opções que os fotógrafos “modernos” perderam ao longo do tempo.

Vamos ver como usamos esse fotômetro externo para melhores resultados?
A maneira mais simples de usar um fotômetro é apontá-lo para o que desejamos fotografar. A luz refletida por nosso assunto (digamos uma bela morena chamada Teresa) bate em uma fotocélula (antepassada distante dos sensores digitais) e é convertida em valores de abertura e velocidade. Eis a fotometragem por luz refletida, usada pelas máquinas modernas – nas quais parte da luz que passa pela lente é usada para esta medição.

Mas tem uma pegadinha aí… o fotômetro é incapaz de saber se está sendo apontado para uma foto na praia de areias quase brancas ou asfalto novo e quase preto. Tudo que fotografamos apenas seguindo esssas informações da luz refletida fica perto do cinza em preto e branco, ou seja, com os tons neutros quanto à luminosidade. Daí as câmeras recentes usarem várias fotocélulas, cada uma responsável por uma parte da imagem e um pequeno computador para ler e “fazer a média”, calculando então a exposição adequada.

Trazendo isto para os fotômetros de mão, temos os chamados “spotmeters”, que lêem apenas um ponto – e precisam ser apontados para as diferentes partes da foto, para sabermos quais os valores adequados às sombras e luzes. Ou podemos medir apenas um ponto que consideramos mais crítico – por exemplo, o rosto – e então lembrar que essa leitura precisa ser corrigida para a diferença entre o tom de pele e o cinza médio que todo fotômetro de luz refletida quer ver. Claro, a Teresa pode se cansar enquanto fazemos essa medição toda lá de longe e ir embora…

Outra alternativa? Que tal medir a luz que chega na Teresa?? Daí saberemos como expor nosso filme ou sensor, não importando qual a exata tonalidade de sua pele, nem a roupa clara ou escura. E esta é a chamada leitura de “luz incidente” – a quantidade de luz que chega no nosso assunto, igual para todas as cores e tonalidades… e o nosso branco vai ficar quase estourado e sem detalhes, e nossas sombras bem escuras, quase sem detalhes também. Quer detalhes no branco? Escureça – feche mais a abertura ou use uma velocidade mais alta… e o inverso para sombras mais claras e detalhadas.

Pegue seu fotômetro de mão, coloque um pequeno difusor (uma semiesfera de plástico branco) sobre a fotocélula, e vá para bem perto da Teresa. Vire o fotômetro em direção à câmera, de forma que o difusor fique iluminado da mesma forma que sua modelo. Faça sua leitura – e pode abrir ou fechar um pouco mais, conforme deseje clarear ou escurecer mais a pele. Se a luz for muito lateral, vire o fotômetro mais para esse lado – no máximo até a metade do caminho entre a câmera e a luz.

Em muitos casos, temos mais de uma fonte de luz sobre a modelo. Nesses momentos podemos medir cada uma em separado – fazendo com que o difusor fique iluminado por cada uma apenas – para saber que valores essas luzes estão trazendo para a foto. Isto é muito importante para as contraluzes – luz de cabelo, por exemplo – que não atingiram o difusor na primeira leitura, direcionado para a câmera.

Temos então duas leituras (ok, podemos fazer mais de acordo com a necessidade) que nos dizem o que está acontecendo com a Teresa – e a interpretação é por nossa conta. E temos esta informação independentemente do modelo de câmera que escolhemos para a foto. Liberdade – ao menos no aspecto fotográfico. Eu acho um bom começo!

Mas atenção… se as condições mudarem muito rapidamente (nuvens passando, por exemplo) precisamos fazer novas leituras à medida que fotografamos. Ou ainda, usamos o fotômetro de mão para “calibrar” a leitura do fotômetro da câmera, anotando a diferença entre eles no início da sessão. Claro, podemos também arrumar um(a) assistente, para ajudar com as leituras, segurar rebatedores, carregar equipamento… e ficar dizendo o tempo todo como está tudo perfeito.

O fotômetro de mão moderno existe em dois sabores – luz contínua e flash – e existem os de uso misto. Mas mesmo o fotômetro de luz contínua nos ajuda em estúdio com flashes, já que podemos (devemos!) medir as luzes piloto e usá-las como informação. Basta então saber a relação entre a luz piloto e o disparo do flash, o que podemos fazer com filme de teste ou usando o número guia dos flashes e fazendo a leitura da luz piloto a um metro de distância.

Lembrete: esta relação permanece a mesma com a distância, já que o flash e a luz piloto enfraquecem na mesma proporção quando as afastamos, mas varia quando alteramos a força ou carga do flash, e precisa ser verificada para cada tocha – e reverificada de tempo em tempo e após troca de lâmpadas… ufa! Melhor fazer com antecedência. Normalmente, se usarmos tochas do mesmo modelo, com lâmpadas piloto do mesmo tipo e potência esses valores vão ser bem parecidos.

Claro, o ideal seria um fotômetro de cada tipo, ou ainda os de uso misto… mas algumas dicas podem nos ajudar a tirar o máximo de cada peça enquanto montamos o nosso equipamento ideal, sem desperdícios. Sem esquecer da satisfação em redefinir os limites de nossas ferramentas.

Pode parecer complicado à primeira vista. Mas a verdade é que assumir o controle das nossas fotos significa exatamente fazer as coisas ao nosso estilo, mesmo que isso signifique mais trabalho, para que o resultado seja mais o que desejamos – e menos o que a câmera “acha” que está vendo.

Boas fotos!


Este texto foi escrito por Luiz Felipe

Autor: Luiz Felipe
Fotógrafo, portugues e brasileiro, com passagens por diversas áreas da profissão e atualmente envolvido com turismo e tecnologia. Usuário Pentax desde 1976, com crises de infidelidade ocasionais (Leica, Canon, Nikon, Hasselblad e Sinar) mas acabo voltando quando minha necessidade daquele equipamento específico acaba – caso da Hasselblad e da Sinar, que só comprei quando precisei satisfazer o mercado e logo que se tornaram desnecessárias foram vendidas. Atualmente com equipamento Pentax (Ds, Mx, Lx, Pz1-p e algumas lentes e acessórios), Canon (500n e duas lentes para ocasiões de risco), Nikon (LAW35 para entrar na água sem susto). E que estou pensando em voltar à ativa – retrato, minha primeira paixão. Comecei uma página pessoal em 96, e ando ajeitando desde 2008 – www.techmit.com.br/luizfelipe – algum dia desses vai ter mais fotos. Participo esporádicamente da lista de discussão Pentax (www.pdml.net) e da galeria (não oficial) dos usuários Pentax (www.pug.komkon.org). Além das fotos comerciais, tive 2 trabalhos publicados em coletâneas – I Fotonordeste, na época da fotografia a lenha, e o PDML Annual 2010.
Site pessoal: www.techmit.com.br/luizfelipe

3 comments

  1. Esse post ai me instigou muitas idéias cara !
    super útil esse tutorial

    big up lomo br

  2. 2 dúvidas:

    1 РEu coloco o fotometro na modelo, disparo os flashs ou a luz continua, dai ele, automaticamente vai me dar os valores de ISO, diafragma e velocidade que eu tenho que regular na camera, ̩ isso ?

    2 – Como funciona esse lance de fazer várias medições, pro caso de vários pontos de luz, que valor eu vou colocar na camera, se cada ponto vai me dar um valor diferente e na camera só posso regular apenas um valor de iso, velocidade e diafragma.

    Pode me ajudar ??

    Grato!

  3. Michael Lewin

    Muito útil e clara sua explicação sobre fotometria manual!Obrigado!abs.

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